Se Madeleine McCann tivesse no bolso uma caixa azul com tecnologia portuguesa, o seu desaparecimento teria sido resolvido em menos de meia hora. Bastaria ligar um computador à internet, entrar no site da Inosat e descobrir onde estava a menina inglesa que desapareceu na Praia da Luz em Maio de 2007.
Mas nessa altura a Inosat ainda não tinha lançado o Child Locator, produto com que se prepara para invadir o mercado mundial. Trata-se de um pequeno aparelho de 77 milímetros, que pode ser colocado na mochila ou na roupa de uma criança e que a localiza a qualquer momento através do sinal de GPS.
Os pais podem mesmo definir um sistema de alertas por telemóvel - por exemplo, receber um SMS todas as tardes assim que a criança sai do perímetro da escola. Jorge Carrilho, administrador da empresa portuguesa, revela ao i que o Brasil será o mercado com maior investimento, já que o número de raptos naquele país é muito elevado. De tal forma que a Inosat se prepara para montar uma fábrica naquele país e considera a hipótese de abrir uma subsidiária.
A tecnologia de localização da empresa é tão apurada que os planos de internacionalização abrangem uma dezena de países, não apenas com os localizadores de crianças, mas também com localizadores de objectos, MyLocator, de carros, Car Locator, e futuramente de animais, Pet Locator. O que distingue os produtos Inosat, além da tecnologia nacional, é não implicarem mensalidades.
"Estamos mais avançados em Angola, Marrocos, Grécia e França", adianta o administrador, acrescentando que há acordos quase fechados "para o Dubai, o Qatar e a Líbia". É que a segurança e a paz de espírito, como lhe chama Jorge Carrilho, são desejos universais.
CARJACKING: Aconteceu há duas semanas em Setúbal. Um condutor parou num sinal vermelho e, em poucos segundos, tinha uma arma apontada à cabeça. Saiu do carro sem nada, deixando carteira e telemóvel. Dirigiu-se ao posto da GNR mais próximo e contou o sucedido calmamente. Pediu para usar a internet, causando alguma estranheza aos militares. Quando introduziu os seus dados no site da Inosat descobriu logo onde estava o carro. Mandou imobilizá-lo e seguiu com uma equipa de agentes boquiabertos para o local onde o veículo foi deixado.
O sistema é simples: a primeira vez que o carro pára - num sinal, numa passadeira, num cruzamento - não volta a funcionar. E a única coisa que impediu o cliente da Inosat de ir logo de carro para casa foi o facto de o carjacking ser um crime público, tendo sido necessário passar pela análise pericial. É provável que os 529 euros que este condutor pagou pelo Car Locator estejam no topo da lista do dinheiro mais bem gasto nos últimos tempos.
BAIXAR O PRÉMIO DE SEGURO: Bom comportamento ao volante. É tudo o que precisa para baixar o valor anual do seguro do carro no novo produto que a Inosat vai lançar depois do Verão, em conjunto com uma seguradora portuguesa. Jorge Carrilho explica que a ideia é premiar com um desconto até 30% os condutores que conduzem dentro dos limites de velocidade, em horas com menor tráfego, em zonas de baixa incidência de acidentes.
Como? Através do Car Locator, a seguradora recebe todos os dias à noite um relatório sobre o tipo de condução feita e acumula pontos. O cliente pode acompanhar no site a sua evolução e fazer contas. Por exemplo, um prémio de seguro de 500 euros passará para 350 euros caso o condutor atinja o máximo de bom comportamento. A tecnologia de localização que a Inosat desenvolveu tem inúmeras aplicações potenciais.
Os 16 engenheiros que trabalham na tecnológica - que em 2008 custaram 600 mil euros - continuam a aperfeiçoar a solução, tanto no software como no hardware. Neste momento, tentam adaptar o Pet Locator aos vitelos que os finlandeses deixam nas montanhas durante cinco meses. É que, quando regressam para os ir buscar, metade já desapareceram.
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